Coluna do Zeca: 10 dúvidas que surgem pós-Carnaval

Por:

O ano deveria começar hoje, mas os nossos políticos conseguiram mais dois dias de folga, afinal de contas, ninguém é de ferro. Se não tivéssemos com o que nos preocupar, vá lá, até poderíamos enforcar o resto de semana. Mas, não é a realidade. A dengue ainda assusta, os preços dos alimentos estão nas alturas, presídios de segurança máxima não cumprem seus papéis, os déficits negativo primário e das estatais comprometem o nosso futuro. Enfim, ano novo, velhos problemas.

No quintal da política mineira, o ano promete muita movimentação e, paradoxalmente, muita inércia também. A semana que precedeu o carnaval nos mostrou isso, com a visita do presidente Lula a BH. Por falar no presidente, sempre preocupado com a paz mundial, acabou de jogar gasolina no conflito entre Israel e Palestina, em seu discurso no Egito. Ao lado de quem? De um ditador. Se mineiro fosse, pelo menos na tradicional política mineira, Lula trataria de buscar os brasileiros e falaria o mínimo sobre o complexo conflito. Mas, como diz o meme de WhatsApp, o importante é opinar e não entender o assunto.

Voltando ao ponto, separei dez perguntas aos nossos políticos, ao estilo Marie Claire, que precisam ser respondidas ao longo de 2024. No final do ano, voltaremos a elas para ver como os temas evoluíram:

  • Como a dívida de Minas Gerais vai ser paga? Pelo Regime de Recuperação Fiscal proposto por Zema ou pela negociação política defendida por Rodrigo Pacheco? A resposta desta pergunta vai determinar muita coisa pela frente.
  • Caso Pacheco saia vitorioso do item acima, ele recua nas pautas polêmicas contra o Supremo na tentativa de recuperar prestígio político e fica na carona de Lula até as eleições de 2026?
  • Qual será o destino das estatais mineiras? Serão privatizadas como quer Zema? Serão dadas como pagamento à União? Ou ficarão como estão?
  • A resposta da pergunta três passa, necessariamente, pela nossa Assembleia. Afinal de contas, ela voltará finalmente a ter protagonismo? O atual presidente Tadeuzinho é habilidoso, uma jovem promessa da nossa política, mas precisa ter protagonismo, não só nos assuntos das estatais, mas de maneira geral. É só pegar o exemplo de três dos últimos presidentes: Alberto Pinto Coelho, Dinis Pinheiro e Agostinho Patrus. Três azougues que participaram ativamente de quase todos os assuntos de Minas Gerais.
  • A relação beligerante entre o prefeito de BH, Fuad, e o presidente da Câmara, Gabriel Azevedo, vai continuar assim até o final do ano? Azevedo enfrentará novo pedido de cassação? Algum projeto importante para a cidade será prejudicado?
    Por falar em Fuad, ele conseguirá unir a esquerda em torno de sua candidatura? Conseguirá melhorar seu desempenho nas pesquisas para empolgar seus avalistas políticos?
  • O líder as pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de BH, o senador Carlos Viana entrará, finalmente, de cabeça nos temas da cidade? Ao invés de ficar na cidade durante o Carnaval, para circular entre os cidadãos, fazendo o corpo-a-corpo, preferiu viajar ao distante Azerbaijão para acompanhar as eleições daquele país representando o nosso governo. Perdeu uma ótima oportunidade de começar a sua campanha.
  • A dupla Nikolas Ferreira e Cleitinho, que cumprem uma missão cara aos seus eleitores, mas contraproducente ao cotidiano dos mineiros (Cleitinho, é sério que você está perdendo tempo para que o preso financie a sua tornozeleira ao invés de olhar as saidinhas, progressão de pena e outras questões relacionadas a segurança pública?) será o esteio para a plataforma política de Zema nos próximos lances do tabuleiro político? Bruno Engler, que foi buscar apoio político em São Paulo para alavancar sua candidatura à PBH, continua fora dos planos do governador mineiro?
  • Como vai reagir o vice-governador, Mateus Simões, caso perca espaço nos planos de Zema?
  • Qual vai ser o comportamento de Kalil e Aécio neste ano? O ex-prefeito de BH está sem mandato, mas possui um alto índice de intenção de votos, mesmo não podendo participar do pleito deste ano. Kalil vai ser ativo nestas eleições? Fica mais na moita e espera as oportunidades de 2026? Vai ser estratégico ou vai atuar com o coração neste ano? Já o deputado federal Aécio Neves voltou com tudo nos bastidores da política mineira. No interior, ele já está definindo candidatos e alianças, já que voltou a ter o PSDB em suas mãos. Mas qual será a sua postura em BH?
  • A pergunta mais importante de todas: terão os nossos políticos competência para melhorar a vida dos mineiros? Entra ano e sai ano, as mesmas promessas de sempre, pouco é feito pelo nosso povo. Parte disso por incompetência mesmo, parte por brigas políticas e ideológicas. Muita inércia pelo fato de os nossos recursos estarem comprometidos com a máquina pública, sobra muito pouco para investimento. Nunca os nossos políticos fizeram tão pouco pela população.

No final do ano, a gente volta para ver o que foi feito, mas aposto mais em um trio elétrico unindo Baby Consuelo e Ivete Sangalo falando sobre o apocalipse do que ter um centímetro de metrô a mais em Belo Horizonte.

Home » Coluna do Zeca: 10 dúvidas que surgem pós-Carnaval

Notícias Relacionadas

Nenhum resultado encontrado.