Coluna do Zeca: A nova esquerda de BH

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Esqueçam Patrus Ananias, Durval Ângelo e Luiz Dulci. Rogério Correia, Reginaldo Lopes e Duda Salabert não contam, são carta-branca, a banca não leva em consideração. A nova esquerda de Belo Horizonte, hoje, é composta pelo tecnocrata Fuad, pelo advogado de sucesso Rodrigo Pacheco e pelo delegado de polícia Alexandre Silveira. A trinca lança nesta segunda-feira, com a presença de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, a reeleição de Fuad a prefeitura de BH, sob as bençãos do presidente Lula.

Não, Fuad não estava em dúvidas. Ele tomou a decisão lá atrás quando começou a brigar com o vereador Gabriel Azevedo, ali uma chama acendeu em seus olhos. Ele estava aguardando uma melhora nas pesquisas para poder costurar nacionalmente com o presidente Lula que, agora, tem candidato a prefeito em BH e também tem a governador em Minas Gerais: Rodrigo Pacheco.

Eu apostei, no começo do ano, que o PT vem de vice na chapa de Fuad. Se isto não acontecer, é porque tem outros interesses envolvidos, como fundo eleitoral, por exemplo. Aliás, este cenário é a torcida de um candidato da direita, que entende que a esquerda perde força e fica fragmentada para as eleições. Este mesmo candidato anda costurando para a diminuição das opções da direita, consolidando na mesma chapa duas opções de peso para o seu eleitor. Estou de olho nesta movimentação, não demora muito e vamos trazer isto em primeira mão.

Nunca a política de Minas Gerais foi tão pragmática, sem comando e sem cacique com propósito. Até entendo a situação de Fuad e Alexandre Silveira. O primeiro sempre serviu com competência e dedicação a esfera pública, nunca teve protagonismo, mas, como o cargo caiu no seu colo com a saída de Kalil para concorrer ao governo de Minas, está tendo a oportunidade de sentir o gosto de disputar uma reeleição. Custou a subir no palanque de Lula em 2022, foi o último. Agora, coloca a estrela no peito e parte para o pleito. Com Alexandre Silveira é quase o mesmo. Político de bastidor, muito fiel aos seus líderes e ao seu partido, trabalhador incansável, nunca teve a chance de ter brilho próprio, até agora. Largou sua base de eleitor, que tem o perfil bolsonarista, formado por delegados e pela própria polícia civil e, também, foi cantar “Lula lá“ para finalmente ter holofotes em uma pasta importante do governo, a de ministro de Minas e Energia. Está encantado por andar ao lado de “gente grande” e, por um instante, esqueceu dos seus amigos mineiros. Semana passada, exagerou no entusiasmo ao anunciar 100 milhões de reais para manutenção de duas rodovias mineiras ao lado de Renan Filho, ministro dos Transportes. Isto não faz nem cosquinha para resolver os problemas, principalmente da 381.

O caso mais complexo dos três é o de Rodrigo Pacheco. Foi eleito pelos mineiros justamente para derrotar a ex-presidente Dilma Rousseff, contando maciçamente com o voto antipetista. Difícil para o seu eleitor esquecer esta parceria profunda com o PT e ele não tem a garantia de que vai repor os seus votos perdidos com a adesão dos eleitores da esquerda. Não combina, advogado com linguajar de advogado não parece nem de longe com professor ou sindicalista. Ele aposta no protagonismo da resolução da dívida de Minas Gerais e dos puxões de orelha e ameaças contra o Supremo. Quando não aposta no silêncio, especialmente, na defesa de fatos históricos sobre a guerra de Israel. Isto tudo pode não ser suficiente para alçar voos mais altos. O eleitor mineiro é rancoroso, não perdoa facilmente. Mineiro tem fama de “come quieto”, mas quando o representante insiste em ser “quieto demais” sobre fatos tão importantes, o silêncio fica ensurdecedor e a resposta pode ser o brado retumbante do NÃO nas urnas.

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