Coluna do Zeca: A pobre realidade da política mineira

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Enfim, após um ano de governo, o presidente Lula começou a sua viagem pelo Brasil. Evidentemente, vai focar, neste começo, no seu principal reduto, o nordeste. Após visitar 24 países, ele vai gastar suas milhas aqui dentro do país mesmo, porque quer articular as principais alianças para as eleições municipais. Chegou até a cogitar Minas Gerais neste início. Afinal de contas, foi por aqui que ele consolidou sua vitória contra o ex-presidente Bolsonaro.

Mas, a verdade é que ele não tem o que fazer aqui, o cenário atual da nossa política de Minas nunca esteve tão frágil. Na teoria, Lula deveria vir aqui, começando em Belo Horizonte, para costurar a aliança do PT em torno da candidatura do atual prefeito, Fuad Nomam, e compor a chapa com a participação dos petistas e do restante da esquerda que tinham pretensões próprias. Fuad ainda não bateu o martelo, enfrenta fogo amigo dentro do partido e luta para sair dos índices baixos nas intenções de votos nas pesquisas mais recentes. Ele precisa se mostrar competitivo para, aí sim, confirmar sua candidatura e ir em busca de alianças.

O senador Rodrigo Pacheco se afastou de Lula e está refazendo o seu caminho político. Este, aliás, foi o tema da minha última coluna, quem perdeu clique aqui para recuperá-la. Já era para Pacheco ter assumido o protagonismo por aqui, mas ainda não foi isso o que aconteceu.

Esta enorme lacuna de referência política de Minas Gerais surge depois que o atual deputado federal Aécio Neves e o ex-governador Fernando Pimentel deixaram de ser as duas principais referências políticas do estado. Pimentel não fez um grande governo estadual. Perdeu muito tempo e energia em escritórios de advocacia. Aécio Neves submergiu depois do caso de arapongagem dos irmãos JBS. Mais para frente, vamos fazer uma análise mais profunda destes dois personagens importantes da nossa história recente. O que eu quero trazer dos dois, nessa análise de hoje é que, além de perderem o protagonismo precocemente, os dois não fizeram sucessores. Um erro estratégico enorme. E, quando sumiram de cena, deixaram essa lacuna aberta sem que eles mesmos pudessem elevar algum pupilo a condição de protagonista.

Foi aí que apareceram Alexandre Kalil e Romeu Zema. Kalil queria fazer parte do grupo político de Aécio Neves. Tentou uma, duas, várias vezes. No auge da sua popularidade, Neves não enxergou no ex-cartola uma boa possibilidade de parceria. Quem enxergou foi o ex-presidente da Assembleia de Minas Gerais, Dinis Pinheiro, o primeiro a enxergar o potencial de votos de Kalil por sua capacidade de comunicação direta com o povo, por sua autenticidade. Por falar em Dinis Pinheiro, ele teria sido mais competitivo do que Pimenta da Veiga na disputa de 2014 contra o próprio Pimentel. Isto praticamente tirou de Aécio sua grande chance de se tornar presidente da República.

Kalil poderia ser o fator que pudesse trazer Lula a Belo Horizonte já no começo dessa jornada de visitas. Mas ele saiu de cena, mesmo que momentaneamente, ao tentar derrotar o governador Zema e prescindir do resto do seu segundo mandato. Engenheiro de obra pronta é o que mais tem por aí, mas o tempo mostrou que essa não foi a melhor alternativa para Kalil, poderia perfeitamente ser o grande protagonista local neste momento.

Zema também surgiu no vácuo deixado por Pimentel e Aécio. É um sujeito honesto, com boas intenções. Mas estes predicados não são suficientes para ocupar a posição que ocupa hoje. É péssimo em articulação política, delega grandes decisões a atores secundários.

Têm coisas que só o líder máximo deve comandar, não se pode delegar assuntos estratégicos ao segundo escalão. Cometeu erros estratégicos na condução da dívida de Minas Gerais. Foi à Brasília encontrar com o terceiro escalão do governo federal. JK e Tancredo Neves deram um pulo nos seus túmulos. Ele não consegue comandar as forças políticas dentro do seu partido. O ano passado já começou tensionado no segundo escalão, cotoveladas eram sentidas entre Mateus Simões e Igor Eto, para ver quem seria o escolhido para suceder Zema em 2026. Em outro momento, vamos analisar esta aproximação de Zema e Cleitinho, uma insanidade isso!

Os jovens políticos mineiros estão sem liderança, sem exemplos. Grandes promessas ao invés de serem lideradas, de estarem remando para a mesma direção, para o bem de todos, estão se engalfinhando. Marcelo Aro e Gabriel Azevedo são grandes exemplos. Vamos tocar, também, neste assunto nas próximas
colunas.

Diante dos fatos cristalinos, se consegue explicar porque não temos a duplicação da rodovia da morte, a BR 381, não temos a ampliação do metrô, fomos os últimos a termos o aeroporto ampliado e não conseguimos tirar o nosso rodoanel do papel, só para ficar em poucos exemplos. Estamos, mais do que nunca, sem representatividade a altura da grandeza de Minas Gerais. Como diriam os amigos do Chapolin Colorado: E agora, quem poderá nos salvar? Por enquanto, nem mesmo personagem de pastelão mexicano.

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