Coluna do Zeca: Al Pacino e a política de BH

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Os bastidores da política belo-horizontina estão agitados. Enquanto o ano começa a avançar calendário adentro e os prazos para definições e coligações ganham data já avistada no horizonte, as conversas se intensificam. As duas mais importantes do momento já aconteceram porque tanto o prefeito Fuad Noman quanto o senador Carlos Viana já estiveram, pessoalmente, em reuniões separadas, evidentemente, com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, um dos principais cabos eleitorais, segundo pesquisas. Os dois entendem que a presença de Kalil na disputa vai fazer diferença na contagem dos votos.

Kalil ainda não bateu o martelo, ele está extremamente cauteloso, quer fazer o movimento com a certeza de que não vai perder, o que comprometeria seus planos para disputar, novamente, o governo de Minas Gerais, em 2026. Se ele não quer perder, vai esticar esta corda até os 47 minutos do segundo tempo, de preferência, com os refletores ligados, se é que você me entende. Só assim enxergaria melhor o cenário, com menos margem de erro.

Carlos Viana já prometeu a Kalil o apoio em 2026 caso seja eleito prefeito, portanto, o ex-prefeito já tem o que quer deste lado. Conforme o raciocínio acima, precisa ver em que patamar Viana se consolida nas pesquisas pouco antes do começo da eleição. A situação com Fuad é um pouco mais complicada, mas é possível acontecer. O atual prefeito já se comprometeu a apoiar outro senador mineiro para o mesmo cargo, Rodrigo Pacheco. E teria, também, Lula no palanque de Pacheco.

Será que Kalil estaria disposto a passar, novamente, o desgaste de marchar ao lado do PT e de Lula, com quem nutre, com toda razão, um rancor de ter sido abandonado depois das eleições de 2022? Mas, por gratidão a Kalil, eu não duvidaria que Fuad retirasse o seu apoio a Pacheco e passasse a apoiar Kalil. Fuad é uma pessoa grata e pode dizer lá na frente que o cenário mudou, que as bases querem outra coisa, enfim, motivo não é o problema para que esta reviravolta aconteça.

A TV da igreja Universal soltou ontem uma pesquisa apontando Viana com 21%, Bruno Engler com 15% e o prefeito Fuad já aparecendo com 11%, empatado com o candidato do PT, Rogério Correia e muito perto de Duda Salabert, com 9%. O presidente da Câmara de Vereadores de BH , Gabriel Azevedo, também cresceu, foi a 6%. A primeira coisa que salta aos olhos é que Carlos Viana não pode abandonar o bolsonarismo porque arrisca ser atropelado pelo Engler. O segundo ponto é que Fuad, por ainda não ser identificado como prefeito de BH pelos eleitores, tem um potencial grande de crescimento e está contando com a fragmentação do voto da esquerda para não ser ultrapassado.

Para qualquer lado que Kalil for, haverá algum estranhamento. Se for para apoiar Viana, conviverá com a turma do Bolsonaro, que tanto ele combateu, inclusive, discutindo com os filhos do ex-presidente durante a pandemia. Se optar por Fuad, como disse mais acima, terá que subir no palanque com Lula, novamente, e terá que pedir votos juntamente com Rodrigo Pacheco, seu potencial opositor em 2026.

Um quarto fiel da balança para as eleições deste ano, depois de Kalil, Bolsonaro e Lula, é o também pré-candidato Gabriel Azevedo. Ele aparecendo com 6% e contando com a capilaridade do MBP pode, facilmente, chegar a 8%, tornando-o um fiel da balança tanto para ir para o segundo turno quanto para ganhar as eleições no segundo turno. Ele pode perfeitamente ir de vice-prefeito compondo alguma chapa, na esperança de ser o sucessor. Apesar de improvável de acontecer, alguns sinais mostram que há, pelo menos, vontade de conversar. Rodrigo Pacheco mesmo está intermediando uma conversa entre Fuad e Gabriel, ferozes inimigos até pouco tempo. Por que isso não pode acontecer com Viana e Kalil também? Sinceramente, tudo é possível, não podemos descartar nada.

A grande realidade é que o vácuo de projeto político deixado por Aécio Neves e Fernando Pimentel não foi preenchido. Zema é um vôo solo. Kalil tinha de tudo para ser o novo xerife de Minas Gerais. Se tivesse ficado na prefeitura até o final do segundo mandato, poderia conduzir da forma mais natural o pleito deste ano. Poderia lançar o senador Viana como cabeça de chapa, com o vereador Gabriel de vice. Os dois juntos poderiam ter ficado 16 anos no poder, se as regras de quatro anos mais quatro anos na reeleição permanecerem. Kalil sairia em 2026 como candidato ao governo e lançaria Fuad ao Senado. Por que isto não aconteceu? Quem responde é Al Pacino, no final do filme Advogado do Diabo: “Vaidade, definitivamente o meu pecado favorito”. Este pecado contaminou esta turma toda. Aposto com vocês, estão todos arrependidos neste exato momento.

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