Coluna do Zeca: E se o Tarcísio fosse governador de Minas Gerais?

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O carnaval nem começou, mas o mundo político já colocou seu bloco na rua. O ato que confirma o túnel que vai ligar Santos ao Guarujá, no valor de quase 6 bilhões de reais, foi marcado pela troca de “gentilezas” entre o presidente Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aliado do ex-presidente Bolsonaro. Estávamos desacostumados com a presença civilizada entre os dois campos políticos mais representativos do Brasil. Até pouco tempo atrás, era tiro, porrada e bomba entre os dois, em alguns casos, até literalmente.

Mas, a pergunta que cabe a nós, mineiros, é se o governador Zema é o mais indicado a enfrentar os desafios enormes de Minas Gerais. Será que, se o carioca Tarcísio fosse o nosso governador, já teríamos concluído a negociação da nossa dívida com a União ou já teríamos tirado do papel a expansão do nosso metrô?

O governador Zema optou por uma linha de atuação muito perigosa na campanha de 2022. Pulou na canoa de Bolsonaro com os dois pés, criou a união “Bolsozema” e não poupou críticas ao candidato Lula, ao PT, além de bater em Pimentel como o ex-pugilista Popó vai bater no ex-BBB Cléber Bambam em mais um desafio de celebridades. De certa forma, Zema fez tudo o que a cartilha da direita queria e, de quebra, se colocou como alternativa como sucessor de Bolsonaro. Passou a ser figurinha carimbada em programas jornalísticos alinhados com a direita e é sempre citado em possíveis configurações de candidatos para presidente em 2026. Não se pode dizer que ele não foi sincero, pois foi, e muito. Também é correto dizer que parte do eleitor cobrava dos políticos essa clareza de opinião e posições mais firmes contra a esquerda.

Mas Zema cometeu o mesmo erro de Bolsonaro. Os dois não possuem estratégia. Para eles não existe plano B, parece que a única opção é matar ou morrer. Voltando para analogia do boxe, os dois possuem o perfil de lutador de trocação de soco, com guarda baixa, sem estratégia de luta. Por falta de estratégia, Bolsonaro deixou de ter a oportunidade de levar a direita a um projeto mais longevo, tendo a possibilidade de ficar oito anos no governo e, ainda, fazer o seu sucessor ficar mais oito. Mais para frente, confidencio uma tentativa de um senador mineiro para que o ex-presidente Bolsonaro agisse mais estrategicamente, especialmente na área de comunicação. E, por falta de estratégia, o governador Zema não colocou no seu plano de vôo a possibilidade de ele vencer as eleições ao lado de Lula e não de Bolsonaro.

Agora, ficam os mineiros cheios de demandas importantes, mas sem interlocução na esfera federal. Um político me disse uma vez que a base de atuação da classe passa por construir pontes e não dinamitá-las. Zema não construiu nenhuma ponte com a esquerda, nem com o presidente, nem com o segundo escalão. A prova disso é o envio de um convite por correspondência ao gabinete do presidente Lula para se encontrarem na sua visita a Minas Gerais nos próximos dias.

Caro governador, político mineiro que honra suas tradições, não faz isto. O convite em si deveria ter sido um mero ato burocrático. O convite se faz nos bastidores, e, principalmente, se resolvem os problemas também antes das reuniões, que são, na verdade, oportunidades para fazerem fotos e darem entrevistas. Sinceramente, parece coisa de amador.

Outro político que está seguindo a onda do governador de São Paulo, é o do Paraná, Ratinho Júnior que, recentemente, disse que mantém o relacionamento republicano com Lula e saiu pela tangente ao ser perguntado sobre as impressões dele no primeiro ano de mandato do presidente. Disse, sabiamente, que continua cedo para emitir opiniões.

Exportamos a nossa mineiridade para cariocas e paranaenses, e, parece que estamos longe das nossas tradições de fazer política nos bastidores. E o eleitor da direita pode perceber em 2026 que é muito melhor ter um representante estrategista do que um franco-atirador, sem trocadilho com armas de fogo.

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