Coluna do Zeca: Em BH, tudo pode acontecer

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Visitei, recentemente, um dos maiores publicitários do nosso estado nos últimos 20 anos e conversamos muito sobre o atual cenário. Ele participou ativamente de várias campanhas e fez a publicidade de gestões em todos os âmbitos por aqui. Por motivo de discrição, não vou mencionar o seu nome, já que é um meio de muita ciumeira (os casos que ele contou de ciúmes dos nossos políticos são estarrecedores, beiram uma insegurança de adolescente em seu primeiro namoro).

O primeiro diagnóstico que foi traçado é de que o ex-prefeito Alexandre Kalil, mesmo distante da prefeitura de Belo Horizonte há quase dois anos, é capaz de levar, através do seu apoio, quase todos os candidatos ao segundo turno. Eu comentei aqui no começo deste nosso espaço, que tive um acesso a uma pesquisa que praticamente comprova este pensamento. Kalil era citado espontaneamente por 12% dos entrevistados para as eleições deste ano para prefeito em BH, mesmo não podendo concorrer.

O estranho é que, mesmo com esta força toda como cabo eleitoral, o ex-prefeito está na dele e, até agora, não se manifestou sobre como vai se comportar. Claro que nos bastidores muita coisa já está rolando. Da última vez que falei com ele, dois nomes que citei fizeram com que ele tivesse certo interesse em caminhar neste ano: o ex vice-governador Paulo Brant e o senador Carlos Viana. Na época, Kalil estava esperando um gesto dos dois para começar uma conversa.

O meu amigo publicitário me afirmou que já houve uma conversa entre Kalil e Viana. Pode ter até acontecido, mas a informação que eu tenho da turma do Viana é que está muito cedo para acontecer esta aproximação e há, também, um receio de que o apoio ao presidente Lula em 2022 possa ocasionar perda de voto da ala mais conservadora que está com o senador. Por outro lado, como você abre mão deste apoio, já que corre o risco de ele fechar com outro candidato?

Outro cenário interessante traçado nesta conversa foi o de que, se Kalil apoiasse o vereador Gabriel Azevedo, as chances de vitória seriam grandes. Esta hipótese é, praticamente, impossível de acontecer, já que os dois, aliados na primeira campanha de Kalil, romperam de uma maneira pesada e existem ofensas mútuas que os adversários podem usar para questionar a genuinidade da aliança. Eu não entendo como estes nossos novos políticos possuem uma facilidade de rompimento total e escrachado. Na política isso não pode acontecer. Quando acontece e o sujeito volta atrás no que disse, cai no ridículo absoluto. Veja como exemplo o vice-presidente Geraldo Alckmin falando que o presidente Lula queria “voltar à cena do crime” e acabou voltando com ele. Não sei como ele tem a coragem de colocar a cabeça para fora de casa depois deste vexame. Talvez seja por isso que a Janja apareça mais do que ele, até em agenda oficial. Na opinião do meu amigo, Kalil não deveria ter brigado nem com o Gabriel, nem com o Marcelo Aro. Concordo com ele.

Foram traçadas, na nossa conversa, mais duas hipóteses: a primeira é a de que, sem a presença de Alexandre Kalil apoiando qualquer adversário, o atual prefeito seria reeleito. Na mesma hora questionei sobre o seu baixo índice de conhecimento. A resposta é que isso se resolve com uma boa campanha, que a cidade não tem problemas crônicos e que é relativamente bem administrada. Por falar em Fuad, a possibilidade de apoio de Aécio Neves à reeleição não é descartada já que os dois foram por vários anos companheiros, o primeiro como secretário e o segundo como governador.

A última possibilidade que conversamos é bastante interessante e eu não tinha pensado nela ainda. Sai pelo PL como cabeça de chapa o deputado federal Nikolas Ferreira e o pré-candidato Bruno Engler como vice. Depois de dois anos, Nikolas sai para concorrer para governador com o apoio de Zema e do “bolsonarismo” com grandes chances de vitória e, numa tacada só, ocupa as duas cadeiras mais importantes do estado. E isto pode ser potencializado pela eventual prisão de Bolsonaro, que viraria uma espécie de mártir.

Por mais que o cenário esteja aberto e indefinido, há grandes possibilidades no momento para que os candidatos possam dar passos importantes. As pesquisas podem ajudar e muito a clarear os cenários possíveis, mas existe nitidamente uma miopia e uma vácuo de liderança na nossa política que não permite que o óbvio seja feito. Ficam buscando apoio para ter fundo eleitoral e tempo de televisão, costuram acordos nacionais, vendem a cadeira de vice, mas o dever de casa mesmo geralmente não é bem feito.

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