Coluna do Zeca: Lula, vá governar o Brasil

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O terceiro mandato de Lula se deteriorou rapidamente e os sinais, que já eram visíveis de várias maneiras, se transformaram em realidade com a dura baixa de sua popularidade diante da frieza dos números das pesquisas de avaliações.


Não é difícil descrever o que aconteceu para que esta queda de popularidade fosse tão forte. Com a dinâmica de mundo diferente em relação aos seus dois primeiros mandatos, com a presença de redes sociais, que a esquerda não domina a plataforma, com o próprio envelhecimento do presidente aliado a qualidade inferior do seu primeiro escalão. Ou vai me dizer que o quadro do PT e aliados não caiu vertiginosamente de qualidade?

Se a fórmula usada anteriormente foi suficiente para fazer o país crescer e render altos índices de avaliação, agora, o buraco é mais embaixo, mais profundo que o pré-sal. Ele achou que iria viajar o mundo em busca de reverência e reconhecimento, até acho que, no fundo, ele pensa que deveria ser merecedor do prêmio Nobel da Paz e que o crescimento da economia e de sua popularidade seria orgânico, fazendo mais do mesmo.

Mas ele está errando no diagnóstico e, consequentemente, está errando nas primeiras ações para sair dos números adversos. Fazer um diagnóstico profundo é o primeiro passo. Mas, como fazer com um Lula teimoso e arrogante e um bando de assessores sem coragem de dizer a verdade? Impossível de dar certo!

É o que estamos vendo. Fazer reunião ministerial e cobrar que os ministros viajem mais e divulguem suas iniciativas como se isso fosse inverter a sua popularidade é muito primário. Primeiro, quer dizer então que se os índices estivessem bons não teria reunião ministerial, não é mesmo? Ou seja, o objetivo no final de contas é a popularidade e não o bem-estar e melhoria de vida da população. Este é o sinal que ele está dando. Segundo, quando ele fala em “comuniquem suas ações”, ele está sugerindo que is ministros ajam de forma independente, sem ter uma estratégia de comunicação unificada, incluindo uma estratégia nas redes sociais, inexistente até agora.

Até entendo que os ministros precisem mesmo estar perto dos problemas e longe dos gabinetes geladinhos e aconchegantes, apesar do calor infernal que tem feito no país. Se presidente fosse, apesar de não ter talento para ser síndico de prédio, pediria que os ministros viajassem, sim, primeiro para colher informações sobre o que a população está pensando e sentindo, no intuito de montarem um diagnóstico em conjunto para, depois, saírem montando um plano de ação mais consistente.

Aqui, em Nova Lima, têm consultores ótimos da Fundação Dom Cabral que fazem isto com os pés nas costas. Não é possível que um governo de um país deste tamanho não tenha metodologia e profissionais capacitados para esta função. Mas acho, sinceramente, que é mais uma questão de arrogância e de ignorância mesmo.

E, para complicar as coisas e mostrar como o presidente Lula está mais perdido que o técnico Felipão no Atlético, ele mira a polarização como arma de reverter a popularidade e começa a falar do Bolsonaro, chamando o ex-presidente de “covardão”. Essa foi uma das últimas mas Bolsonaro não sai dos pensamentos e palavras de Lula. Não sei como a Janja não sente ciúmes! Mira o retrovisor e seu adversário ao invés de olhar para os problemas do país e montar um plano de ação consistente.

Parece que ele está com uma dificuldade de compreensão de que os índices de popularidade são reflexos da realidade. Não tem fórmula mágica, tem que trabalhar e mostrar resultado. As condições mudaram, o mundo mudou e o presidente está preso no passado. Sem trocadilhos com a passagem de Lula pela cadeia, que também ficou no passado. Tem que tirar a bunda da cadeira, inclusive, da cadeira do avião. Resumindo, ele precisa governar o país. Mas isso dá trabalho, e parece que o ícone do partido dos trabalhadores anda preguiçoso para isto.

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