Coluna do Zeca: Não tirem Kalil do jogo

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O Brasil Insider publicou uma matéria dizendo que o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, recusou o convite de jantar oferecido ao presidente Lula pelo seu ex-ministro e amigo Walfrido dos Mares Guia. Quem não leu a matéria, clique aqui.

Não tenho meias-palavras para definir o que aconteceu com Kalil, logo após sua derrota para o governador Zema, por parte de Lula e da equipe de montagem do seu governo. Todos eles foram ingratos com Alexandre Kalil. Foram porque Kalil deu palanque a Lula no reduto que acabou definindo as eleições para presidente. Abraçou com paixão a chapa em Minas Gerais, com espanto de muita gente, inclusive meu. Kalil perdeu o discurso de que “não adianta colar estrela no seu peito” e passou a falar de Lula com boca cheia nas campanhas e comícios. Entrou de corpo e alma. Para ser sincero, foi mais fiel à Lula do que Fuad que, já como prefeito de Belo Horizonte, custou a entrar na campanha, gerando um desconforto na época.

Qual nome em Minas Gerais poderia dar a Lula tamanha projeção naquele momento? Kalil era o nome que Lula precisava em Minas Gerais. Tinha sido reeleito prefeito de Belo Horizonte com o notável desempenho de ganhar em todas as urnas da cidade, feito inédito para o pleito. Poderia estar, até hoje, comandando a cidade de BH. Claro que ele sabia do risco, esperava que a parceria com Lula lhe rendesse mais votos, mas não foi o que aconteceu e o resto a história a gente já conhece.

Walfrido coordenou a campanha de Lula em Minas Gerais ao lado do também ex-ministro Luiz Dulci. Os dois foram testemunhas do empenho e, sobretudo, da lealdade de Kalil durante a campanha. É bem verdade, também, que teve o fogo amigo de dentro de sua campanha dizendo que Kalil não percorreu a quantidade de cidades do interior que deveria. Além disso, não teve, nos programas de TV, o desempenho esperado. Diga-se de passagem, quem dominou os debates foi o senador Carlos Viana. Kalil não foi o Kalil durante os debates, eu disse isso para ele, que me respondeu que não poderia ir com aquele tom mais alto que os belorizontinos já estavam acostumados para poder entrar no interior. Ele tem certa razão, mas tom por tom, o do Zema era imbatível para dialogar com o interior.

Nesta ocasião em que comentei sobre o tom na campanha, também tentei puxar a língua dele para falar sobre a não ida para o governo federal, ele jamais se pronunciou. Foi correto e fiel à sua decisão até na derrota mas, por dentro, a gente pode imaginar o que se passava realmente na cabeça de Kalil.

Essa expectativa de ir ao governo era esperada, na época, porque nos primeiros mandatos de Lula a presença de mineiros no primeiro escalão era farta. A expectativa era de que pelo menos Kalil e Reginaldo Lopes pudessem estar presentes, ao lado de Alexandre Silveira, para compor o novo governo. Silveira acabou sendo o único a ser convidado por ser um político de grupo, que sempre trabalhou pelo seu partido e foi levado pelas mãos de Kassab. Contou, também, evidentemente, com a proximidade e lealdade que Silveira tem de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Assim como Kalil, Silveira também fora derrotado nas urnas, perdendo a vaga do Senado para Cleitinho.

O fato é que Kalil não foi ao jantar e fez bem de não ter ido. Está dando sinais de que quer distância da turma que virou as costas para ele. Engana-se quem pensa que ele se afastou porque não quer estar mais na política. Não vi ele falando para ninguém quais seriam seus próximos passos na política mas, recentemente, contratou uma pesquisa para ver em que pé seu nome se encontra, para ver onde eventualmente pode se encaixar. Eu não tive acesso ao resultado desta pesquisa, mas vi outra em que ele liderava a espontânea para prefeito de BH, mesmo não podendo concorrer. Tinha 12 pontos, muita coisa. Mas isto é um indicador de que a eleição deste ano vai passar por ele. Não deve marchar ao lado de Fuad, por tudo dito acima. E o jogo está aberto para 2026, tanto no Senado quanto no governo mineiro. Zema vai querer fazer seu sucessor, Rodrigo Pacheco saiu das cordas, assunto que foi tema da minha coluna anterior (recebi algumas mensagens de leitores dizendo que boa parte do eleitorado de Pacheco não vai perdoá-lo por sua omissão no passado recente, vamos aguardar!). Aécio vem ganhando musculatura, pelo menos em articulações e, cabe ainda a presença de mais uma força política para este pleito. Kalil pode ser uma delas.

La atrás, antes de ter saído candidato a prefeito de Belo Horizonte, pela primeira vez, Kalil tentou se encaixar no mundo político, mesmo que modestamente. Foi preterido por grandes forças políticas de Minas Gerais. Encontrou seu espaço, atingiu seu ápice, levou um tombo, sofreu pela ingratidão e está tentando se levantar novamente, tentando consertar seus erros e montando novas estratégias. Aprendeu na dor de que nem sempre vale a pena prescindir das suas convicções para buscar atalhos. Não sabemos se isso será capaz de poder recuperar-se novamente, mas não convém subestimar a raça de um atleticano raiz.

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