Coluna do Zeca: Zema, de onde virão os recursos para o pagamento da dívida?

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A política mineira viveu um dia agitado. Os corredores da Cidade Administrativa e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais estavam vazios. A nata dos nossos políticos estava em Brasília para ouvir por parte do governo federal a tão esperada proposta para pagamento da dívida de Minas Gerais com a União, que já ultrapassa o valor de 170 bilhões de reais.

Para a surpresa de todos, a proposta que foi apresentada não era nem a do presidente do Congresso Nacional, o senador mineiro Rodrigo Pacheco, nem a do consórcio sul e sudeste. Imaginem o constrangimento de todos os presentes ao saberem de uma proposta de última hora, tirada da cartola de Lula, com visível conotação política (ele tem todo o direito) e estendida a todos os estados, sem os contornos de exclusividade que Pacheco estava tratando, como a federalização das nossas estatais. Por este lado, eu achei ótimo, esta ideia de passar as nossas empresas para Brasília é a sentença de nanismo da vida pública mineira.

Só fico imaginando o que passou na cabeça de Pacheco. Tiraram a escada dele e o pior: sem avisar. Aposto um pão de queijo da Boca do Forno que ele pensou no seu futuro como candidato ao governo de Minas Gerais. “É com este povo que eu vou mesmo?”. Não sei por qual motivo Zema saiu satisfeito do encontro. Será que ele entendeu direito o que aconteceu?

Atrelar os descontos dos juros a um investimento em capacitação do ensino técnico é válido, mas não ter sido discutido com ninguém, isto é uma esculhambação. Exigir contrapartida é válido mas, com a gravidade do assunto, esta solução deveria ser construída a quatro mãos. Na tabela progressiva apresentada, a melhor situação, com os juros fixados em 2%, todo o recurso economizado tem que ser investido no programa de educação. Pensa bem, é como se um sujeito que estivesse devendo as calças na praça precisasse negociar com o banco que ele deve para ter o que comer e o banco apresenta uma proposta na qual todo o alívio oferecido não pudesse ir para o bolso dele, para comprar comida ou qualquer outra coisa mas sim para, por exemplo, comprar compulsoriamente um título de capitalização do próprio banco. Se isto é ajuda, não quero nem ver como seria para atrapalhar.

Este é um problema para os nossos políticos resolverem mas, independentemente da solução final, todos nós mineiros seremos impactados e ninguém está falando sobre isto. Prestem atenção: não existe espaço no orçamento para voltar com a parcela da repactuação da dívida, isto significa que o dinheiro vai ser tirado de algum lugar para que a dívida volte a ser paga. É preciso transparência deste já, não me causaria estranheza se o assunto não estivesse sendo discutido dentro de quatro paredes. Mas o governador tem a obrigação de dizer a nós mineiros: de onde virão os recursos para o pagamento da dívida?

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