Coluna: Surto de dengue em BH e região metropolitana

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A origem e significado da palavra dengue, seja do árabe arcaico, dos mouros da Península
Ibérica ou dos africanos de Zanzibar, nos dá uma pequena ideia do que era essa doença, a mais importante virose transmitida por artrópodes.

A OMS relata que 100 milhões de pessoas são infectadas pelo vírus da dengue anualmente
em todo o mundo. No Brasil, as primeiras referências datam de 1846, no Rio de Janeiro. Emílio Ribas e Oswaldo Cruz, no início do século XX, combateram o mosquito Aedes com o intuito de acabar com a Febre Amarela. Talvez isso explique a ausência de surtos entre 1923 e 1981.

O mosquito vem sobrevivendo e proliferando em todo o globo, em especial no cone sul. Uma vez depositados, sobretudo em recipientes artificiais, os ovos podem eclodir em até mais de 12 meses. São quatro tipos de vírus: 1, 2, 3 e 4. Existe imunidade duradoura por tipo, portanto um mesmo indivíduo pode ter até quatro episódios ao longo da vida.

Adultos jovens tendem a ter quadros com poucos sintomas e agravos, mas crianças, idosos e gestantes são considerados grupos de risco. Febre por 3 a 7 dias, dores no corpo e articulações, dor de cabeça e exantema (manchas pelo corpo) são os sinais e sintomas prevalentes. A hidratação oral vigorosa que inclui o soro de reidratação, aliado a Dipirona ou Paracetamol, estão indicados. Derivados anti-inflamatórios, como Aspirina e Ibuprofeno, proibidos.

Os pacientes suspeitos precisam ser orientados quanto ao que chamamos de sinais de alarme em dengue: dor abdominal intensa e contínua, vômitos frequentes, sangramentos, sonolência, choro intenso em caso de crianças, baixa de pressão arterial, desmaio e determinadas alterações do hemograma, como o aumento progressivo do hematócrito. Nesses casos, o paciente necessita procurar imediatamente um pronto atendimento para início do soro venoso.

Os dados epidemiológicos sugerem que teremos esse ano na região metropolitana de BH um número muito aumentado de casos, que chamamos de surto. Campanhas na mídia sobre a boa hidratação e a procura das unidades assistenciais em caso de sinais de alarme é fundamental no enfrentamento.

Para reduzirmos o número de casos, toda a população precisa cooperar, evitando o acúmulo de água e lixo. Por outro lado, a organização dos serviços de saúde, com triagem, estadiamento com tratamento prioritário para os casos com sinais de alarme e para os casos graves, é que farão cair a ocorrência de mortes.

Dengue é uma doença sistêmica, dinâmica e que pode ser muito grave. Precisamos estar
preparados para enfrentá-la, novamente.

Ewaldo Mattos
Pediatra e Professor
BH/Nova Lima

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