Deu a louca em BH

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Todos os candidatos à vaga de prefeito, em Belo Horizonte, nas eleições que serão realizadas no final deste ano, estão fazendo um malabarismo tremendo para chamar a atenção do eleitor. E não é para menos: os índices de desconhecimento e indecisão estão nas alturas. Tirando a meia dúzia de belo-horizontinos que gostam e têm interesse no processo, a massa da população, aquela que pega ônibus às 4 horas da manhã e vende o jantar para pagar o almoço desconhece, solenemente, quais são os candidatos ou, provavelmente, desconhece a maioria.

Quando os caciques políticos davam as cartas por aqui, boa parte da estratégia de campanha era baseada em caminhadas e entrevistas com os candidatos a tira colo. Assim, a população passava a conhecer quem eram os postulantes mas, agora, a situação é diferente. Neste exato momento estamos vendo uma guerra de pesquisas, chega a ser risível pela discrepância dos resultados. Está na cara que são pesquisas encomendadas e cada um trabalha na metodologia adequada, tudo dentro da ciência da matemática, para lhes proporcionar um resultado que vá chamar a atenção da população. E, em seguida, disparam pelo WhatsApp.

Enquanto isso, o mundo político se mexe nos bastidores, em busca de apoio, composição e tempo de televisão. Waldemar da Costa Neto, por exemplo, pressiona o governador Zema para embarcar na campanha de Bruno Engler, o ungido local do ex-presidente Bolsonaro. E, de quebra, pede Luiza Barreto para ser vice da chapa. É mais fácil o Sargento Garcia prender o Zorro do que isso acontecer. A não ser que Zema tenha uma contrapartida de peso que alimente e beneficie seu devaneio de suceder o presidente Lula. Eis um político que não move um copo d´água para ajudar aliados em campanhas.

O presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, se uniu ao ex-vice-governador Paulo Brant. Se antes os dois eram pré-candidatos, agora, Brant será vice de Azevedo. Nos bastidores, se comenta que os dois se uniram pela necessidade, já que estavam patinando em todas as pesquisas. E o mais curioso é que duas semanas atrás foi apresentada esta hipótese a Brant, em um ambiente de descontração e a veemência com a qual a sugestão foi descartada deu a entender que a possibilidade era esdrúxula. Quem consegue entender? É a tal da nuvem de Magalhães Pinto.

É uma chapa zona sul, que não sobe organicamente os morros de Belo Horizonte. Precisará romper esta barreira. Por falar em obstáculo e zona sul, o atual prefeito precisa sumir urgentemente com as obras da ciclovia, que foram interditadas pelo TJMG. Coincidentemente, a obra passa na porta da sede do TJ e, com o fluxo de carros de aplicativos estacionando em fila dupla para desembarcar advogados e doutores, a localização virou um caos.

Eu mesmo fui vítima e dei uma beliscada com o pneu esquerdo da frente no novo canteiro, tentando desviar da parada brusca de um motorista que deixava um passageiro e, pelas marcas ao longo da nova divisa, não fui o primeiro. Mas, pelo perfil do eleitor mineiro, não se pode tirar Fuad da briga, já que o histórico de continuísmo é uma grande tradição nossa. O prefeito e os demais candidatos da esquerda, todos do mesmo tamanho, esperam ansiosamente a palavra final do seu grande líder. Lula ainda não bateu o martelo, ora flerta com Fuad, ora deixa Rogério Correia sonhar. Eu aposto que esta decisão está nas mãos do senador Rodrigo Pacheco, que fica controlando o ritmo do Senado de olho no movimento das peças do jogo político mineiro. É muito poder que o senador tem e, entre a convicção política e um aliado poderoso, Lula sempre fica com a segunda opção. Tem gente que continua achando o contrário, difícil de entender.

Por fim, os dois candidatos midiáticos conseguem chamar um pouco mais a atenção das classes mais baixas. Tramonte e Viana, oriundos da mídia convencional, entram ou entraram nas casas de milhões de mineiros todos os dias, denunciando e largando bordoadas nas mazelas dos nossos governantes. São ótimos apresentadores e não há como não largarem na frente nesta disputa. Tramonte leva pequena vantagem porque estava até outro dia no ar, ao contrário do colega que viveu os últimos anos nos corredores frios e traiçoeiros de Brasília, como senador por Minas Gerais. Mas, já escutei de gente que conhece bem do assunto dizendo que Tramonte pode derreter ao longo da campanha, tornando o nosso Celso Russomano que, em todas as campanhas, larga na frente e derrete igual gelo no asfalto quente.

Enfim, estamos falando de uma corrida eleitoral que se mostra imprevisível. Sem cacique local e com os nacionais mostrando pouca influência, trata-se de uma corrida aberta até o momento, em que qualquer movimento isolado pode alavancar ou destruir de vez um candidato. Quem tiver a melhor estratégia vai levar vantagem, só não me venham com melancia pendurada no pescoço, porque de louca já basta a vida.

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