Coluna do Zeca: Os (não) movimentos de Pacheco

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Após ver seu sonho frustrado de não ir para a Suprema Corte e de ver sua popularidade despencar nas ruas – principalmente, em Belo Horizonte (lembram da vaia que ele tomou quando foi votar no ano passado?) na ocasião que se aproximou de Lula -, o senador Rodrigo Pacheco se viu em uma encruzilhada. Se ficasse parado, iria se desidratar aos poucos e arriscaria ter sua carreira política encerrada precocemente. Era preciso sair das cordas e, pelo menos, pareceu que ele fez um planejamento para abrir várias frentes. No final do ano passado, para a surpresa de muita gente, incluindo a minha, começou a defender abertamente idade mínima para os ministros do STF além de mandato. Ainda foi “enigmático” ao dizer que o assunto iria ser apreciado no momento oportuno pelos congressistas.

Mas, ele precisava fazer um movimento para o seu eleitorado, pois boa parte dos mineiros que depositou seu voto nele estava indignado. Esta parcela de eleitores havia concentrado nele as esperanças de tirar da liderança das pesquisas a ex-presidente Dilma Rousseff. E, quando foi eleito, seus eleitores esperavam uma postura mais a direita, distante do presidente Lula. Além disso, já estava chegando aos ouvidos dele que o establishment mineiro andava se queixando pelo afastamento do senador com as questões cotidianas de Belo Horizonte. 

E, foi quando ele percebeu a fraqueza política do governador Romeu Zema conduzindo a negociação da enorme dívida mineira com a União, que Rodrigo Pacheco fez seu maior gesto ao eleitor mineiro. Assumiu o protagonismo, gravou vídeo ao lado do presidente Lula e colocou na mesa uma alternativa ao questionado regime de recuperação fiscal. Nessa nova proposta, Pacheco entende que o valor principal da dívida pode ser discutido e que as estatais mineiras seriam transferidas para a União, o que, a meu ver, é tão ruim quanto o regime de recuperação fiscal. Também defendeu a cessão de créditos judiciais de Minas para a Federação e, ainda, defendeu o pagamento do restante em 10 anos. Este movimento apequenou o governador Zema e escancarou a sua inabilidade de articulação política.

Ontem, o senador Pacheco acenou ainda mais para a direita. Afirmou que vai chamar para si a responsabilidade de desenvolver uma nova formatação da legislação penal do país para termos leis mais transparentes e seguras e que diminuam a impunidade (precisou morrer um policial militar mineiro nas mãos de um bandido em “saidinha”, mas, pelo menos, houve movimento). E, de quebra, disse também, que as saídas temporárias dos presos precisam ser disciplinadas, sugerindo que vai apertar os critérios. Poderia aproveitar para apertar os critérios de casacos e cafezinhos nas audiências de custódia.

​Ainda é cedo para falar que estas medidas serão suficientes para reverter a imagem que ele criou ao se debandar do perfil dos seus eleitores e se aproximar demais do presidente Lula, aliás, único dos movimentos mais percebidos, enquanto tantos outros urgentes contaram com a inação, não do senador mineiro, mas do presidente do Congresso. 

Tem gente que votou nele e não o quer ver nunca mais, nem pintado a ouro. Mas há, também, os que começam a ver reacender a mínima esperança de que Pacheco consiga agir a tempo. 

Que o (não) movimento de Pacheco seja página virada e, mais do que agradar o eleitorado mineiro, que o senador que, inerte, assiste leis feitas pelo Judiciário, Polícia Federal vasculhando gabinetes do Congresso e indicações dos amigos do rei (pelo visto, ele não era) para a Suprema Corte volte ao bom e velho espírito mineiro que, mesmo que quietinho, tome as rédeas do país de vez.  

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