Coluna do Zeca: Respeitável Público!

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Belo Horizonte foi, ontem, a capital nacional do circo político. A tenda foi armada no Minascentro, onde já tive oportunidade de ver João Cleber e Tom Cavalcanti, em priscas eras. Ali, ficou claro quem seria o apresentador do espetáculo: Lula assumiu esse papel. Assim, não houve muito palco para Zema. 

A trupe estava toda reunida no picadeiro. Os ministros tiveram o papel de ilusionistas. Mostraram projetos velhos e que já estavam no orçamento como se fossem novos. Foram aplaudidos, veementemente, mostrando que esse tipo de ilusão ainda tem a aceitação do público. Tem até nome bonito: retórica. Boa sugestão para o nome do espetáculo!

Os deputados federais assistiram da coxia, não receberam credencial para estar nos camarotes. A organização do evento ficou de apurar o incidente.

Rodrigo Pacheco e Alexandre Silveira encarnaram, com perfeição, o truque do “homem invisível”. Estavam sumidos de Minas Gerais há tempos, apareceram e sumiram assim que o show acabou. Como são multi talentosos, tiveram outros papéis. Pacheco guardava em sua cartola a solução para a dívida pública de Minas Gerais. Guardou o coelho para ser apresentado em outra peça, de preferência, sem a presença de Zema. Silveira aproveitou que ali era território de corda bamba para Zema e tentou dar um “empurrão” com assunto de obrigatoriedade de vacina. 

E o palco foi itinerante e versátil, de circo para Carnaval: tivemos uma pequena apresentação no aeroporto. Estrategicamente colocado como recepcionista em Confins, o vice-governador, Mateus Simões, recebia os foliões desembarcando dos aviões ao som da banda que tocava “o seu cabelo não nega, mulata”. E, como o partido Novo é especialista em comunicação, o vice estava com panfletos na mão distribuindo e dando boas-vindas. 

Alguns números não puderam ser executados. Ciro Gomes, que abandonou esta trupe, não pôde promover com Lula a cena do “encantador de serpentes”. Também foi cancelado o estande de tiro ao alvo, já que as armas foram apreendidas, na véspera, na casa de Waldemar da Costa Neto. 

Pelo menos, teve show de contorcionismo e o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, mostrou que está em forma para isso. Quer tentar se encaixar como candidato único, apoiado pela esquerda. 

Coube ao ex-governador Fernando Pimentel um novo papel: no lugar do tradicional engolidor de espadas de fogo, agora, o jeito foi engolir sapo e ficar quase que no anonimato, na plateia. Nem teve espaço para responder “ataques” destinados a ele, por Zema, durante a campanha.   

Na política brasileira, não cabe a frase “o espetáculo já vai começar”. Porque ele nunca termina! Sempre tem um show isolado ou vários simultâneos envolvendo personagens, partidos, jeitos e histórias diversas. Enredo não falta para entreter o público. Aliás, esse público costuma interagir com o espetáculo, não é plateia passiva. E o papel que nos cabe, normalmente, é o de palhaço. 

Mas, o Carnaval está aí. Então, como sempre, vamos colocar nossa fantasia do esquecimento e aproveitar. Aqui, quando não tem circo, tem festa.

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