Zema e o descontrole do Novo

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Os presentes no evento partidário do Podemos, realizado no último sábado, testemunharam o governador Romeu Zema tentando se apropriar da expansão da linha 2 do metrô de Belo Horizonte, dentre outras obras citadas. Isso é comum no meio político, todos nós sabemos que esta turma gosta mesmo de puxar a brasa para a sua sardinha mas, o que chama atenção, neste caso, é o fato de o real protagonista do feito estar presente, o senador Carlos Viana que, logo em seguida, não deixou por menos e disse, quase que consternado, que quem havia conseguido o recurso para a obra teria sido ele, apesar da letargia de dois anos do governo Zema em relação ao assunto.

Não sirvo mesmo para ser político, porque não teria tentado colocar panos quentes logo em seguida cortejando o apoio do governador no segundo turno. Até porque, se dependesse dos votos que Zema deve conseguir para a sua candidata a prefeitura de Belo Horizonte no pleito do segundo semestre, o senador Viana conseguiria os mesmos votos em uma “live” ou, quem sabe, comendo outra empada de jiló no mercado central.

Poucos dias antes, outra indelicadeza foi proferida por membro do partido Novo. Desta vez, passível de ter a justiça acionada, o vice-governador de Zema, Matheus Simões, que, também, quer se apropriar da alcunha de professor e que deu a Anastasia o seu devido peso político, soltou um descontrolado golpe contra o PSDB mineiro. Simões disse que os governantes tucanos estavam preocupados em receber as propinas com os superfaturamentos dos prédios da cidade administrativa. Para quem não está acompanhando o caso, o governo decretou intervenção nos elevadores dos prédios e deixou de “home office” os funcionários públicos.

Qualquer estudante de segundo semestre de psicologia dirá que o vice-governador quer tirar o foco e a pressão dos seus ombros por não estar conseguindo resolver seus próprios problemas. Daqui a pouco, a turma do Novo começa a jogar a culpa dos problemas de Minas Gerais em Magalhães Pinto uma vez que o culpado de sempre, o ex-governador Fernando Pimentel, já foi oficialmente substituído pelos governantes do PSDB, Aécio e Anastasia.

O partido Novo tem mais dois anos de vida em Minas Gerais, o único lugar do Brasil em que conseguiu vingar. Zema não vai fazer o seu sucessor, primeiro porque a conjuntura política local é bem diferente do momento em que derrotou os desgastados tucanos e petistas. Segundo que Matheus Simões não é um empresário bem-sucedido para “limpar o que está aí”, não tem a forma simpática de comunicar com os mineiros e, como disse acima, não é visto como um “professor” em política ou administração pública. Terá alguma chance se trouxer o senador Cleitinho para o seu partido, mas não seria um autêntico representante do partido Novo.

A última pesquisa Genial/Quaest para apontar o próximo candidato bolsonarista contra Lula em 2026, já que o ex-presidente Bolsonaro está até agora inelegível até 2030, coloca Zema nas últimas colocações. Fica atrás da ex-primeira dama Michele Bolsonaro e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Até aí tudo bem, era imaginável mesmo que isto fosse acontecer, mas ficar atrás de governadores de estados menores, não deixa de ser uma derrota para Zema.

Os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás) já aparecem na frente do governador mineiro. Isso antes de enfrentar a volta do pagamento da dívida com a União, que vai trazer grandes impactos na sua gestão e, certamente, vai desgastar ainda mais a sua imagem. Melhor mesmo esquecer este sonho do Planalto e focar nos grandes problemas de Minas Gerais, afinal de contas, o trem de Minas ainda não voltou para os trilhos. E falta muito para isso.

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