Crise de identidade? Partido Novo muda discurso para as eleições 2024

Partido Novo toma medidas para reverter os resultados eleitorais de 2020, incluindo o uso de fundo eleitoral para financiar campanhas em 2024

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Em uma tentativa de ganhar força política e melhorar o desempenho eleitoral de 2020 – quando elegeu apenas um prefeito e 29 dos 560 candidatos a vereador no país -, o partido Novo decidiu abandonar uma de suas principais bandeiras ideológicas e utilizar, pela primeira vez, recursos do Fundo Eleitoral para financiar as campanhas municipais de 2024.

A decisão, anunciada no mês passado, faz parte de uma série de mudanças que o partido vem adotando, como a aceitação de alianças partidárias e a busca por filiações de políticos com grande capacidade de atrair votos. Para especialistas, as mudanças podem ser lidas como uma crise de identidade em um partido que procura se reestruturar para sobreviver.

Ajustes estratégicos em busca de competitividade

Desde a sua fundação em 2011, o Novo sempre foi contra o uso de dinheiro público para o financiamento de campanhas. No entanto, o partido argumenta que a manutenção dessa diretriz tornou-se inviável devido às mudanças na legislação que proíbem doações de empresas e limitam as doações de pessoas físicas aos partidos.

Eduardo Ribeiro, presidente nacional do Novo, explica que o partido tem como objetivo expandir sua base nos estados em 2024, projetando um aumento de 383% no número de candidaturas a prefeitos e vereadores em relação a 2020. No entanto, ele argumenta que a limitação do acesso às doações, juntamente com o aumento significativo do Fundo Eleitoral – que mais que dobrou desde 2020, distribuindo R$ 4,9 bilhões entre os partidos para o financiamento público das campanhas deste ano -, aumentou a desvantagem do partido em relação aos seus oponentes. “Tivemos que fazer uma escolha. Ou continuávamos sendo esmagados pelo sistema ou dávamos dois passos atrás para ter competitividade”, justifica Ribeiro.

Busca por nomes fortes e alianças partidárias

Além das mudanças na fonte de recursos para o financiamento de campanhas, o partido também começou a admitir alianças partidárias para aumentar sua competitividade. Além disso, o Novo tem se movimentado para atrair nomes que foram eleitos por outros partidos ou que têm um forte potencial para atrair votos.

Segundo Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec, a mudança de estratégia do Novo indica que os ideais iniciais do partido mostraram-se inviáveis na atual conjuntura. “Acho que esse idealismo se perdeu e se tornou inviável. Hoje, o Novo tem uma abordagem mais realista e pragmática, visando tornar-se mais competitivo eleitoralmente”, observa o especialista.

Avaliação dos dirigentes do Novo em Minas

Christopher Laguna, presidente do Novo em Minas Gerais, vê com naturalidade as mudanças de direção adotadas pelo partido em nível nacional e defende que “todo modelo de gestão é passível de aprendizado”. Ele acredita que, se o partido tivesse utilizado o valor do fundo eleitoral em eleições anteriores, como fazem os outros partidos, poderia ter aumentado o número de cadeiras no Congresso e a presença em municípios onde o partido não consegue se firmar.

Críticas do fundador do Novo

João Amoêdo, fundador e ex-presidente do Novo, condena a mudança de diretrizes do partido e acredita que seus ex-colegas de partido abandonaram o que é certo para priorizar “o que dá certo” na disputa eleitoral.

Ele acredita que o Novo foi criado com o objetivo de inovar na política, dada a rejeição da população aos partidos já existentes, mas avalia que o partido está se aproximando das práticas que condenava.

Critérios para a distribuição do Fundo Eleitoral

Eduardo Ribeiro, presidente nacional do Novo, explica que o partido já definiu os critérios para a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral em 2024. Entre eles, estão a cobertura eleitoral, a arrecadação, e um percentual focado nos candidatos que já são mandatários ou líderes.

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