Mobilidade urbana é destaque nas propostas dos pré-candidatos em BH

Candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte debatem soluções para o trânsito e transporte, mas histórico mostra pouca efetividade após eleições

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Em época de eleições municipais, a temática da mobilidade urbana e transporte surge frequentemente nas promessas dos candidatos. Um levantamento feito pelo jornal O TEMPO revelou que metade dos pré-candidatos a prefeito de Belo Horizonte, para as eleições de 2024, compromete-se a dar prioridade a essas questões. No entanto, conforme observado em ciclos eleitorais anteriores, muitas dessas promessas tendem a não se concretizar após os pleitos.

Malco Camargos, doutor em ciência política, destaca que a mobilidade é um dos temas mais críticos na capital mineira. “Logo, os políticos tentam lidar com ela. A grande dificuldade é a separação do que é narrativa de eleição e capacidade de ação de governo”, analisa ele. A população de Belo Horizonte, que hoje conta com 2,7 milhões de veículos, expressou em uma pesquisa DATATEMPO de abril de 2024 que 17% consideram o trânsito e o transporte como os principais problemas da cidade.

Ações e planejamento dos candidatos

As promessas dos pré-candidatos variam desde a implementação de políticas que favoreçam o transporte público até a melhoria da infraestrutura viária. Fuad Noman (PSD), em busca da reeleição, promete focar em obras em viadutos e melhorar a gestão do Anel Rodoviário. Por outro lado, Gabriel Azevedo (MDB), atual presidente da Câmara Municipal, propõe gratuidades no transporte público para grupos vulneráveis. Entre as candidatas, Bella Gonçalves (PSOL) e Luísa Barreto (Novo) planejam revogar contratos com atuais concessionárias de ônibus, enquanto João Leite (PSDB) aposta no transporte sobre trilhos.

A especialista em segurança no trânsito, Roberta Torres, critica a falta de ação após as eleições e enfatiza a necessidade de mudança de postura dos políticos. “Os discursos deles são prontos, mas é preciso colocá-los em prática. Melhorar a segurança viária passa por pensar em outros modais, que não sejam somente o automóvel”, alerta Roberta. Ela também reitera a importância de focar na mobilidade ativa, incluindo bicicletas e caminhadas, além de melhorar a qualidade do transporte público.

A pesquisa TomTom Traffic Index 2023 ilustra a gravidade da situação, indicando que os motoristas de Belo Horizonte passaram 109 horas presos em engarrafamentos no último ano. A cidade é a 16ª no mundo onde mais tempo se perde em trânsito. Para percorrer um trajeto de 10 km, o condutor gastou, em média, 22 minutos e 10 segundos.

Perspectivas futuras

O desafio para os futuros gestores de Belo Horizonte será transformar as promessas eleitorais em ações concretas que melhorem significativamente a mobilidade e a qualidade de vida urbana. “A responsabilidade do eleitor é fazer a diferenciação do candidato que consegue entregar um plano de governo com atuação em diversas áreas daqueles que ficam apenas em promessas”, conclui Malco Camargos, enfatizando o papel crítico do eleitorado no acompanhamento contínuo dos mandatos.

Tags: Bella Gonçalves, eleições 2024, Fuad Noman, Gabriel Azevedo, João Leite, Luisa Barreto, principal
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